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Opinião | Você deveria planejar as compras de Natal agora mesmo!

Opinião | Você deveria planejar as compras de Natal agora mesmo!

Se as previsões dos gurus da economia se tornarem realidade, os próximos meses serão sombrios! A economia global está em crise por gargalos de abastecimento que nem mesmo um navio cargueiro preso no Canal do Suez poderia superar. Se você é do tipo que gosta de ver a árvore de Natal cheia de presentes (e não só caixas vazias), talvez seja hora de compra-los!

Eu sei, eu sei! O espírito de Natal não está nos presentes, e sim em reunir as pessoas que importam! Mas depois de passar o Natal do ano passado sozinho — #fiqueemcasa — não gostaria de visitar minha família em dezembro sem alguns mimos. Mas quando olho para as notícias relativas à economia global, não vejo um futuro animador.

Até os fabricantes de celulares estão dizendo abertamente que estão apreensivos sobre a época de Natal e sobre as datas comerciais em novembro. Na apresentação do novo Nokia T20, a HMD Global revelou que até mesmo pedidos de cerca de 50.000 unidades estão difíceis de conseguir.

Aliás, isto até levou a fabricante a optar por um processador Unisoc em vez da Qualcomm ou MediaTek em seu novo tablet. Mas o que a HMD Global informou de forma tão franca também afeta as grandes fabricantes.

O que dizem Samsung, Xiaomi e outras empresas?

A Xiaomi, OnePlus e outras fabricantes não puderam ou não quiseram nos dar qualquer informação sobre os gargalos de entrega por volta do Natal. Por outro lado, a Samsung foi um pouco mais transparente sobre isso. Segue a declaração da Samsung Alemanha a sobre uma possível escassez de produtos no Natal:

As flutuações atuais no mercado de semicondutores estão sendo sentidas em toda a indústria tecnológica e além dela. Na Samsung, estamos fazendo nosso melhor para compensar o impacto dessas flutuações e continuamos a trabalhar arduamente com nossos parceiros para enfrentar esses desafios em nossa cadeia de fornecimento.

Em resumo: sim, a situação é crítica! Mas a empresa afirma trabalhar com parceiros para superar os desafios. A resposta da Samsung mostra algo mais: se mesmo a gigante dos eletrônicos sul-coreana, que até fabrica os próprios processadores, tem que se preparar para as flutuações, então algo realmente parece estar acontecendo. Mas qual é realmente o problema no quarto trimestre de 2021?

Quem está roubando nossos presentes de Natal?

A economia global consiste de uma densa rede de empresas que extraem materiais do solo, produtores, fornecedores, fabricantes e, em última instância, do comércio varejista, incluindo nós clientes. Quando você compra um smartphone, seus componentes não só vêm de todo o mundo, mas o celular também é enviado ao redor do mundo em peças individuais para serem montadas, porque a mão-de-obra é mais barata em outro local.

Esta diferenciação de etapas de trabalho tem a vantagem de que os celulares com as tecnologias mais recentes podem ser encontrados por menos de R$ 2.500. Ao mesmo tempo, porém, este sistema é surpreendentemente frágil. Porque se apenas um elo desta cadeia falhar, o resto pode ficar de mãos abanando. Mais tarde chegaremos ao porquê de não dizer "com armazéns vazios".

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Muitos portos tiveram que reduzir suas capacidades para lidar com a crise da COVID / © Benjamin Lucks

Michelle Brey da Mercury cita dois eventos como motivos para os atuais gargalos de abastecimento: primeiro, o já mencionado drama em torno do navio porta-contêiner "Ever Given", que ficou preso no Canal do Suez. Por outro lado, o fechamento de portos na China para conter a pandemia de Corona.

Embora estes fatores tenham contribuído em grande parte para a crise da cadeia de abastecimento, eles não resolvem totalmente o problema mais profundo. Por uma razão importante é a forma como as mercadorias são produzidas em primeiro lugar.

A produção just-in-time funcionou muito bem por muito tempo

Um termo com o qual me deparei repetidamente durante minha pesquisa é "produção just-in-time", que também é chamada de "produção sincronizada com a demanda" em bom português. O princípio é tão simples quanto eficaz. Em vez de ter todas as peças individuais em estoque ao produzir um console de jogos, o processo de fabricação é sequenciado e sincronizado com a aquisição de peças.

O fornecimento e a produção são então coordenados para que os componentes necessários estejam disponíveis no momento certo e na quantidade necessária. Isto reduz os custos de armazenamento, o risco de armazenamento por parte do comprador e os prazos de entrega e o compromisso de capital por parte do fornecedor. Uma situação vantajosa para ambas as partes — até que tudo deu errado no ano passado.

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Processador, bateria, alto-falante - a aquisição de componentes é geralmente bem sincronizada / © NextPit

Porque eventos como o navio preso no Canal de Suez, o fechamento temporário de portos na China, a seca em Taiwan que impediu a fabricante de chips TSMC de produzir chips, a escassez de motoristas de caminhão no Reino Unido e muitos outros problemas paralisam um sistema tão bem sintonizado.

Afinal de contas, não há como compensar quando as entregas param repentinamente. A indústria coordena perfeitamente a produção com a entrega de mercadorias, e os estoques não serão suficientes se a cadeia de abastecimento já aboliu em grande parte os grandes armazéns.

O que era uma economia em espaço de armazenamento para peças individuais, agora se transformou na necessidade de espaço para produtos semi-acabados. O site Merkur informou em outubro sobre a necessidade de vagas de estacionamento para que as fabricantes de carros armazenassem veículos semi-acabados. O motivo é a espera até que peças individuais sejam entregues — tempo que é repassado para os clientes.

Para evitar qualquer confusão: a lógica da produção sincronizada por demanda naturalmente só se aplica às cadeias de produção. Varejistas como Amazon, Magazine Luiza ou B2W (Americanas, Submarino, ShopTime) naturalmente compram mercadorias de tal forma que podem compensar os gargalos de entrega por algum tempo. Mas é claro que em algum momento isso pode não ser suficiente. Portanto, uma solução é necessária.

Como a economia resolve o problema?

Como muitos efeitos secundários da crise da COVID-19, os problemas no setor eletrônico se instalarão a longo prazo. Os portos poderão recuperar sua capacidade original, por exemplo, se aderirem a novos conceitos de higiene e, de acordo com os analistas, as cadeias de abastecimento deverão voltar a funcionar sem problemas até o próximo ano, no mais tardar.

A propósito, o economista Vincent Stamer não vê problemas para bens essenciais como alimentos em entrevista ao jornal alemão Die Zeit. Portanto, não saia correndo para o supermercado em busca de 500 rolos de papel higiênico!

Aliás, também existe algumas soluções criativas para a indústria eletrônica. A fabricante Canon, por exemplo, compensou os gargalos de fornecimento das placas-mãe para dispositivos multifuncionais em uso corporativo, enviando os dispositivos sem as placas por enquanto.

As placas-mãe serão entregues mais tarde quando disponíveis e instaladas por um funcionário. É claro que isto acelera um pouco o processo de entrega, mas também resulta em uma série de impressoras "defeituosas" em escritórios que não serão utilizáveis por um período de tempo indefinido.

Além disso, para o comércio varejista, no qual compramos nossos produtos, estas soluções não são realmente viáveis. Quem quer comprar um PlayStation 5 que só terá um processador daqui alguns próximos meses? Como consumidores finais, teremos que ser pacientes a torto e a direito e se preparar para encontrar alguns alertas de "fora de estoque" por volta do Natal.

Se ouvirmos novamente as palavras de Stamers, teremos que lidar com esta crise — se é realmente perceptível para nós — até o próximo inverno (verão do hemisfério norte). Os primeiros sinais de normalização, entretanto, já poderão ser vistos no primeiro semestre de 2022.

Como ainda podemos salvar o Natal?

A solução está no título desta matéria: planeje suas compras de Natal este ano a partir de agora. Porque é assim que distribuímos a necessidade de entregas de mercadorias que normalmente passam pelas lojas de comércio eletrônico em dezembro.

É improvável que os problemas possam ser resolvidos até o Natal e, desta forma, você estará um pouco à frente da multidão que certamente irá esperar a véspera do Natal para sair às compras. Como sabemos de anos anteriores, a procrastinação das compras de Natal é algo com que podemos contar definitivamente.

Você pretende comprar os presentes de Natal antes do normal?

A segunda solução pode ser muito mais "natalícia": refletir um pouco e pensar local e sustentavelmente! Nem tudo na vida é chip, tela e processamento, há muitos produtos locais que são produzidos, fabricados e distribuídos em sua área. Se você quiser presentear com um celular ou tablet, produtos recondicionados podem ser uma boa alternativa além, claro, do mercado de segunda mão.

Como você enxerga as previsões de gargalos de fornecimento para a época do Natal? Você vai pular a orgia de consumo neste ano ou adiá-la? Deixe sua opinião nos comentários!

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6 Comentários

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  • Penskemen há 1 semana Link para o comentário

    Compras❓
    A foto da caixa de papelão vazia que ilustra essa matéria, representa bem a conjuntura de caos econômico do Brasil...🤔


  • Jairo rios há 1 semana Link para o comentário

    Já importei as lembrancinhas de Natal do Aliexpress , apenas aguardando o recebimento , devido os “descontos” que a loja oferece em 11.11 ,a distribuição do Ali e dos nossos correios fica tão sobrecarregada que dificilmente as encomendas chegam antes dos Natal , prefiro antecipar .


  • Soterio Salles há 1 semana Link para o comentário

    Já compro tudo antes da época pra não pegar promoção furada.
    Embora meu interesse seja no 11.11 das lojas chinesas, estou tentando trocar de smartphone faz tempo mas quando não são os preços é a disponibilidade de um modelo específico, ou não tem versão global, ou a fabricante não tem suporte decente...

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