Review do Xiaomi Redmi Note 10: demasiadamente mediano

Review do Xiaomi Redmi Note 10: demasiadamente mediano

Durante sua apresentação, o Redmi Note 10 foi ofuscado pelas especificações da versão Pro, que trouxe algumas novidades interessantes para o segmento intermediário. O modelo básico, por sua vez, traz melhorias discretas em relação ao Redmi Note 9, como você confere em nossa avaliação.

Avaliação

Prós

  • Tela AMOLED FullHD+
  • Autonomia e tempo de recarga da bateria
  • Resistência contra respingos d'água
  • Porta infravermelha

Contras

  • Não oferece NFC
  • Processador defasado
  • Câmera pouco versátil

Xiaomi Redmi Note 10: direto ao ponto

O Redmi Note 10 tem a responsabilidade de substituir os modelos campeões de venda da Xiaomi nos últimos anos, ao mesmo tempo em que concorre com outro sucesso de vendas, a linha Galaxy A da Samsung.

Enquanto o Note 10 Pro traz uma tela AMOLED de 120 Hz e câmera de 108 megapixels como novidades, a principal novidade do Redmi Note 10 regular é a tela AMOLED, mas aqui de 60 Hz. Além disso, saí o SoC MediaTek Helio G85 para dar lugar ao Snapdragon 678, mais atual, mas talvez não o bastante, como explico adiante.

Um upgrade sempre bem-vindo é a inclusão na embalagem de um carregador mais potente, neste caso de 33 W, que apresentou tempos de recarga próximos ao do Realme 8 Pro, que conta com menor capacidade de bateria e carregador mais potente.

NextPit Xiaomi Redmi Note 10 side
Botão de energia integra o leitor de digitais / © NextPit

Design e tela competentes

O Redmi Note 10 é mais compacto que seu antecessor Note 9 e seu irmão mais velho em 2021, o Redmi Note 10 Pro. Não surpreende então que ofereça uma tela levemente menor, de 6,43 polegadas, contra 6,53 e 6,67, respectivamente.

Gostei:

  • Boa pegada e leve;
  • Design atraente;
  • Resistente a respingos, Certificação IP53;
  • Boa tela AMOLED.

Não gostei:

  • Taxa de atualização de 60 Hz.

A Xiaomi conseguiu não apenas reduzir as dimensões em relação ao antecessor, como também o peso, cerca de 10% mais leve que o Note 9 (178,8 contra 199 gramas) e a espessura, facilitando o uso do celular no dia a dia.

Já a tela saiu de um painel LCD para um AMOLED com resolução Full HD+ (1.080 x 2.400 pixels) e taxa de atualização de 60 Hz. Nesse ponto a Xiaomi ficou devendo em relação aos 120 Hz oferecidos pelo Note 10 Pro ou mesmo pelo Poco X3 NFC. Pelo menos o Redmi Note 10 oferece uma boa exibição de cores e nível de brilho.

NextPit Xiaomi Redmi Note 10 display
Tela agora é AMOLED, mas com 60 Hz / © NextPit

O display de 6,43 polegadas se sai muito bem na exibição de conteúdos, compatível com o formato HDR para maior alcance dinâmico de brilho e cores. O consumo de mídia é ajudado ainda pelos alto-falantes estéreo, mas que ficam apontados para as laterais do aparelho (para cima e baixo na orientação retrato).

Apesar da boa qualidade de construção e da tela AMOLED, o Redmi Note 10 ficou para trás em relação aos rivais diretos por não ter aderido à tendência das altas taxas de atualização. Quem não faz questão das animações mais suaves na tela encontra um celular com dimensões generosas, mas ainda assim de bom manuseio, tanto para o consumo de mídias como de games.

Desempenho abaixo da média

O Redmi Note 10 é equipado com o processador Snapdragon 678, no papel uma melhoria — ainda que discreta — em relação ao antecessor. Apesar disso, o Xiaomi não esconde que se trata de um SoC mais antigo, basicamente um leve overclock em relação ao Snapdragon 675 de 2018.

Gostei:

  • Upgrade em relação ao Note 9;
  • Não apresentou superaquecimento.

Não gostei:

  • Desempenho abaixo dos rivais.

Enquanto alguns rivais diretos adotaram os processadores da linha Snapdragon 700, mais rápidos e mais modernos — por exemplo o Poco X3 da própria Xiaomi e seu Snapdragon 732G, ou o Snap 750G do Moto G 5G, ambos de 8 nm. O Redmi Note 10 traz um SoC de 11 nm que já começa a mostrar os sinais da idade.

Redmi Note 10: benchmarks

Média de 5 execuções, Redmi Note 10 testado na configuração com 6 GB de RAM LPDDR4x, 128 GB de armazenamento e o sistema MIUI 12.0.5.
Benchmarks Redmi Note 10
(Snap 678)
Galaxy A52 5G
(Snap 750G)
Motorola G30
(Snap 662)
Galaxy A72
(Snap 720G)
3D Mark Wild Life 482 1.090 388 1048
3D Mark Wild Life Stress Test 482 ~ 486 1.090 ~ 1.093 382 ~ 383 1044 ~ 1048
Geekbench 5 (single / multi) 526/1.653 620/1.740 300/1.226 548/1.616

No uso em redes sociais, navegação web ou mesmo consumo de streaming, o desempenho é até equivalente aos rivais, ajudado pelo uso de padrões de RAM e armazenamento modernos, respectivamente LPDDR4x e UFS 2.2.

Quando o assunto é games, porém, o legado do Snapdragon 675 e sua GPU Adreno 612 mostra as caras, com praticamente metade da performance dos celulares equipados com o Snapdragon 720 e superiores.

Na prática, o Redmi Note 10 rodou games como Real Racing 3, Free Fire e Call of Duty Mobile, mas no caso deste último, foi necessário reduzir a qualidade gráfica padrão para garantir uma taxa de quadros estável em 60 FPS.

O desempenho do Xiaomi Redmi Note 10 em tarefas diárias não fica devendo em relação à concorrência, mas a idade do processador gráfico pode ser percebida em games, nos quais SoCs mais modernos oferecem um desempenho superior. Pelo menos o aparelho não apresentou problemas de estabilidade ou superaquecimento.

Câmera apenas suficiente

O conjunto fotográfico do Redmi Note 10 parece um déjà vu do sistema usado pelo Redmi Note 9, com quatro câmeras de especificações semelhantes às da geração anterior:

  • Câmera principal: 48 MP, abertura f/1.79, sensor de 1/2’’;
  • Câmera ultra-wide: 8 MP, abertura f/2.2, campo de visão de 118°;
  • Câmera macro: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Sensor de profundidade: 2 MP, abertura f/2.4;
  • Selfie: 13 MP, abertura f/2.45.
Redmi Note 10 wide
Câmera principal usa combinação de pixels por padrão para gravar uma imagem de 12 megapixels / © NextPit

Gostei:

  • Boas fotos em situações com boa iluminação;
  • Processamento das selfies controlado.

Não gostei:

  • Conjunto pouco versátil;
  • Desempenho fraco com pouca luz;
  • Modos macro e tiltshift no menu de configurações.

A câmera principal do Redmi Note 10 usa por padrão o recurso de combinação de pixels (pixel binning) para gerar imagens com 12 megapixels — 4 pixels em 1. Em boas condições de luz, o sensor entrega boas fotos.

Redmi Note 10 Ultrawide Zoom 2x
Ultrawide (esq.) e zoom 2x (digital, dir.) oferecem resultados suficientes para redes sociais / © NextPit

Já a lente ultrawide oferece imagens com pouca distorção nas bordas, mas leves sinais de aberração cromática. Quanto à câmera macro, o aplicativo de câmera parece tratar a opção como secundária, não oferecendo a opção no tradicional menu de modos de câmera. Para selecionar a lente — assim como o modo tiltshift —, é preciso ir no menu de ajustes do app, no botão ≡.

Redmi Note 10 Macro
Potencial da câmera macro é limitado pelos 2 megapixels / © NextPit

No caso das selfies, após alguns modelos testados anteriormente abusarem da suavização de pele, o Redmi Note 10 foi uma grata surpresa, preservando as imperfeições da pele e evitando a aparência artificial das fotos no Moto G30, por exemplo.

Além disso, o modo retrato conseguiu fazer uma boa separação de planos, aplicando o desfoque de fundo de maneira convincente.

Redmi Note 10 selfie
Selfies mantêm a aparência natural (e falhas) da pele / © NextPit

O desempenho em fotos noturnas, por outro lado, mostra sinais de processamento excessivo de imagem, com uma aparência artificial e suavizada. Os resultados podem até parecer suficientes na tela do celular, mas ao ver as imagens em uma tela maior é possível notar uma perda clara no nível de detalhes.

Redmi Note 10 night
Modo noturno não evita a aparência embaçada nas fotos / © NextPit

Após a boa avaliação das câmeras no Redmi Note 10 Pro, admito que esperava mais do modelo base. Mas o uso de um sensor principal menor e a cansada fórmula de ultrawide+macro+profundidade (com resoluções de 8/2/2 megapixels) era uma pista de que os resultados não estariam à altura da versão mais sofisticada.

Bateria acima das expectativas

Um dos pontos que se destacou no Redmi Note 10 durante o teste foi a autonomia de uso, mesmo em meio à bateria de benchmarks (desculpe o trocadilho). Além da capacidade de 5.000 mAh, o carregador de 33 W se mostrou quase tão rápido quanto sistemas mais potentes em aparelhos com bateria menor.

Gostei:

  • Boa autonomia de uso;
  • Carregamento rápido.

Não gostei:

  • Não inclui carregamento sem fio.

O Xiaomi costumava chegar ao final de um segundo dia com um pouco de carga disponível, mesmo após ser exigido um pouco além do padrão de uso tradicional de algumas chamadas, redes sociais, streaming e games.

NextPit Xiaomi Redmi Note 10 usb
Desempenho do carregador foi é bom / © NextPit

E o carregamento com o adaptador e cabos incluídos se mostrou quase tão rápido quanto o Realme 8 Pro — que não apenas conta com recarga a 50 W, como tem uma bateria menor.

O Redmi Note 10 mostrava 12% e 45% de capacidade, respectivamente com 5 e 20 minutos na tomada. Já uma carga completa levou cerca de 1h10min.

Os tempos de carregamento durante o teste foram surpreendentemente próximos dos números divulgados pela Xiaomi. A soma da boa autonomia com a recarga rápida permitem usar o aparelho de maneira despreocupada, mesmo no modo padrão de energia.

Ficha técnica e outras informações

Vou listar abaixo outros pontos que podem interessar à comunidade NextPit, e podem ser resumidos em poucas palavras:

  • O Redmi Note 10 não possui NFC, e não é compatível com sistemas de pagamento por aproximação;
  • O celular possui comunicação por infravermelho e inclui um app para controle remoto que funcionou com TVs e sistemas de som testados;
  • O modelo testado permitia usar dois chips de operadora junto com o cartão microSD;
  • Após a redefinição do aparelho atualizado, o sistema indicava 19,2 GB de espaço ocupado;
  • A embalagem do aparelho testado incluiu o carregador de 33 W, o cabo de recarga, a ferramenta de abertura da bandeja SIM e uma capa de proteção;
  • A versão de software durante o teste foi a 12.0.5.0(RKGMIXM).
NextPit Xiaomi Redmi Note 10 camera
Apesar da inscrição no módulo de câmera, conjunto tem especificações bastante genéricas / © NextPit

Xiaomi Redmi Note 10

Especificações técnicas:
Modelo M2101K7AG
Processador Qualcomm Snapdragon 678, 11 nm, octa-core (2x 2,2 Ghz + 6x 1,7 Ghz)
GPU Adreno 612
Memória
  • 4/64 GB;
  • 4/128 GB;
  • 6/128 GB (modelo testado);
  • LPDDR4x/UFS 2.2
Armazenamento expansível? Sim, microSD
Conectividade Bluetooth 5.0, Wi-Fi 5
Tela 6,43 polegadas, AMOLED, FullHD+, 60Hz
Dimensões 74,5 x 160,5 x 8,3 mm
Peso 178,8 gramas
Câmera
  • Principal: 48 MP, com f/1.79, sensor 1/2''
  • Ultrawide: 8 MP, com f/2.2, FOV de 118°
  • Macro: 2 MP, com f/2.4
  • Profundidade: 2 MP, com f/2.4
  • Selfie: 13 MP, com f/2.45
  • Gravação de vídeo 4K a 30 FPS, FullHD a 60 FPS
  • Vídeo frontal FullHD a 30 FPS
Bateria 5.000 mAh
Tecnologia de carregamento Carregamento com fio de 33 W (11 V, 3 A)
Áudio Alto-falantes estéreo / entrada para fone de ouvido de 3,5 mm
Certificação IP IP 53
Sistema operacional Android 11, com MIUI 12
Cores Onyx Gray, Pebble White, Lake Green
Preço R$ 2.199,99

O Redmi Note 10 é bom?

Analisado isoladamente, o Xiaomi Redmi Note 10 é um bom celular, com acabamento sóbrio e atraente, tela AMOLED com boa qualidade de imagem, além de autonomia de uso excelente e carregamento rápido da bateria.

Pesa contra ele o desempenho mediano da câmera, basicamente herdada do antecessor Redmi Note 9 e o processador defasado, mas que dá conta das tarefas do dia a dia e até alguns games.

Porém, ao analisarmos o mercado — e lembrando da máxima de Anand Lal Shimpi: "não existem produtos ruins, apenas preços ruins" — vemos que alguns rivais contam com melhores especificações de câmera e SoC na mesma faixa de preço, inclusive na própria gama de produtos da Xiaomi — caso do Poco X3 NFC, que na Europa custa 10 euros a mais.

NextPit Xiaomi Redmi Note 10 front camera
Redmi Note 10 trouxe upgrades discretos em relação à geração anterior / © NextPit

Para piorar, no Brasil, o modelo encara não apenas smartphones intermediários com ficha técnica superior, caso do Galaxy A72 e do Moto G 5G Plus por praticamente o mesmo valor de mercado, como também promoções esporádicas do semi-flagship Galaxy S20 FE por cerca de 10% a mais. O alto valor cobrado pela Xiaomi no Brasil acaba empurrando os MiFãs para importadores independentes, o que é ruim para a presença da marca no país.

Quantas estrelas você daria ao Xiaomi Redmi Note 10?

Ao testar o Redmi Note 10 após ler o review escrito pelo Casi sobre o Note 10 Pro, fiquei com a impressão de que a Xiaomi guardou todos os seus melhores truques para o modelo superior, deixando uma sensação de "mais do mesmo" no modelo básico. Talvez resultado de uma família que já nasceu inchada com 4 modelos, o Redmi Note 10 parece um celular que se acomodou no sucesso das gerações anteriores.

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5 Comentários

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  • Estou muito precavido de comprar um novo smartphone, pois sempre aparece uma versão melhor após semanas do lançamento, e esse seria meu primeiro Note da Xiaomi, porém está me deixando um pouco preocupado se comprar ele, pois encontrei um importador que vende ele a 1,200 realecos , o que e um bom preço..
    Mas vou aguardar um pouco mais, para ver se não lançam uma versão melhor..


    • Por 1200 reais parece ser uma boa opção Douglas.

      A nota e o Review foram baseados no preço oficial do aparelho, que era de cerca de 2.200 reais, equivalente ao do moto g 5g, Galaxy a72 e alguns outros modelos com especificações superiores.


  • Pelo descrito , é um bom gadget de entrada , faltam mimos básicos como NFC .


  • O aparelho é aquele ok... Era de se esperar algo assim dele. Mas pra mim um único detalhe já me afasta dele. Não tem NFC... Sim eu sei que nem todo mundo se importa mas eu uso bastante então não fico sem.

    Mas sinceramente, me desanimei demais com a Xiaomi e a política de atualização deles. Gosto dos aparelhos e da MIUI mas não aceito jamais ter comprado um top de linha da marca e nem sequer receber updates de segurança regulares.

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